Sentindo a liberdade, aproveitando pra fazer o que eu sempre quis... Anarquizar, destruir, matar... Até que, me deparo com ela...
Batendo de frente comigo, não era mais uma tentação, agora era uma adversária. Continuava impiedosa e cruel, talvez bem mais do que antes, e agora ela tinha companhia. Eram seus escravos, subalternos. Submissos à sua beleza... Assim como eu.
Fiquei paralisado quando à vi, mesmo sendo uma rival, achei que não fosse me atacar. Mas ela não pestanejou ao tentar me golpear. Confesso que me surpreendi com tal reação, mas minha fúria era tanta que ataquei-a também.
Duelamos por um bom tempo como inimigos mortais, nem parecia que nos amávamos tanto, até que uma das subalternos dela sugeriu uma trégua, todos nós estávamos exaustos com a batalha, meus dois companheiros já estavam ao chão, assim como as suas subalternas que duelavam conosco.
Decidimos então que eu e meus companheiros iríamos para a direita e ela e seu grupo, para esquerda, até dar o tempo de nos encontrarmos no mesmo local e terminar com o duelo.
Quando todos nós estávamos caminhando para nossos destinos, não quis saber do embate e me aproximei dela, não resisti e toquei em seu braço. Ela se virou sorrindo, me olhando como se já soubesse que eu teria tal atitude.
Todos pararam e nos olharam achando que o duelo fosse continuar, ou acabar ali mesmo. Perguntei à ela se poderíamos conversar em particular, ela abriu um sorriso maior e concordou num tom de voz adorável.
Nos separamos do grupo, fomos próximo à uma parede em ruínas e antes que eu à indagasse sobre qualquer coisa, ela me abraçou. Meu mundo caiu diante de tal gesto! Ela ainda sentia o mesmo que eu sentia por ela.
Ficamos um bom tempo abraçados, até que eu voltei à mim e perguntei o porque disso tudo e porque ela sempre ia embora e me abandonava justo no momento que eu mais precisava dela. Ela fechou o rosto e disse que aquilo tudo estava acontecendo porque tinha que acontecer. Aí ela mudou a expressão novamente e disse que nunca me abandonara e que estava sempre comigo, mas que só se mostrava quando necessário, quando meus sentimentos mais obscuros aparecem.
As palavras dela soavam como a morte vindo até mim, até que uma lágrima surgiu nos olhos dela, e ela me abraçou novamente. E em outra atitude inesperada, me deu um beijo... O beijo mais perfeito e puro de todos que eu já provei, fiquei completamente hipnotizado com tal atitude, até que senti algo em meu peito. Quase não sentia dor, pois seu beijo me dominava, mas era algo que estava me incomodando. Até que, de repente ela parou, aí eu pude sentir uma dor insuportável, e com várias lágrimas escorrendo em sua bela face, ela me pediu desculpas, e disse que iríamos nos encontrar novamente. Ela se afastou rapidamente enquanto eu caía ao chão, quando me virei ela já tinha partido.
Olhei para meu corpo e estava totalmente rubro, coberto de sangue, com um punhal prateado com um rubi grande na ponta do cabo cravado em meu peito.
Fui perdendo a consciência, mas eu não conseguia parar de pensar, que apesar de tudo, mesmo com o gesto impiedoso dela, eu ainda a amava.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
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